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Pontos-chave que requerem atenção durante a cateterização intermitente limpa

24/04/2026

Cateterismo intermitente limpo — Notas de prática clínica

Durante o cateterismo intermitente limpo (CIL), os volumes de urina coletados do mesmo paciente por diferentes profissionais durante o mesmo período podem variar de 50 a 100 mL. Essa variação é atribuída a diferenças na técnica, no ângulo de inserção e na manipulação do cateter entre os profissionais. A técnica inadequada pode resultar em esvaziamento incompleto da bexiga, levando ao aumento do volume residual pós-miccional (VRPM) e a um risco maior de infecção do trato urinário (ITU). Também pode ocorrer uma avaliação imprecisa do volume de urina residual. Os principais pontos a serem considerados na prática do cateterismo intermitente são descritos a seguir.

Profundidade ideal de inserção do cateter

O cateter deve ser inserido até uma profundidade na qual a urina seja observada pela primeira vez, sendo então avançado ligeiramente mais (mais 1 a 3 cm). Uma profundidade satisfatória é confirmada pela observação de um jato urinário constante e robusto — e não simplesmente pela inserção até uma profundidade fixa (por exemplo, 4 a 6 cm em pacientes do sexo feminino) e posterior interrupção, como era feito tradicionalmente.

Aplicação de pressão abdominal — Momento e técnica

Durante a fase inicial da cateterização, NÃO se deve aplicar pressão abdominal. Nessa fase, a bexiga está distendida; aplicar pressão pode causar um aumento repentino da pressão intravesical, com risco de refluxo vesicoureteral (RVU). Além disso, pacientes que ainda possuem sensibilidade sentirão desconforto ou dor significativos devido à pressão.

A pressão abdominal só deve ser aplicada quando a bexiga estiver menos tensa. À medida que a pressão intravesical diminui gradualmente (evidenciada por um jato urinário mais lento ou menos denso), a pressão deve ser aumentada progressivamente. A pressão aplicada deve permanecer dentro da tolerância do paciente e não deve causar lesão abdominal. Uma pressão eficaz é confirmada quando o jato urinário se torna mais rápido e abundante.

Durante a fase final da cateterização, alguns pacientes podem apresentar sedimentos ou detritos no lúmen do cateter. Nesse momento, a mão que aplica pressão abdominal deve ser mantida — NÃO alivie a pressão antes da completa remoção do cateter. A pressão só deve ser liberada após a remoção completa do cateter. A liberação prematura da pressão cria pressão negativa dentro da bexiga, o que pode causar o refluxo de sedimentos e urina residual para a bexiga.

Como controlar o fluxo urinário lento ou ralo

Se o jato urinário diminuir ou ficar mais fino apesar da pressão abdominal, as seguintes medidas devem ser tomadas:

Gire o cateter suavemente para reposicionar os orifícios laterais da ponta do cateter dentro da bexiga, alterando o ângulo do cateter.

Ajuste a profundidade de inserção do cateter (avance ou recue ligeiramente) até que a ponta do cateter esteja novamente imersa na urina.

Assim que o fluxo urinário for retomado ou se tornar mais rápido e intenso, o cateter deve ser mantido nessa posição (profundidade e ângulo ajustados) para continuar a drenagem.

Se medidas repetidas não resultarem em fluxo urinário adicional, considera-se que a bexiga está efetivamente vazia. Se a condição do paciente permitir, pode-se tentar uma mudança na posição do corpo (por exemplo, elevar a cabeceira da cama) antes da retirada definitiva do cateter.

Técnica de retirada do cateter

Durante a retirada do cateter, este deve ser mantido abaixo do nível do meato uretral em todos os momentos. A mão que aplica pressão abdominal deve manter essa pressão de apoio durante todo o processo de retirada.

Posicionamento do paciente

Normalmente, os pacientes são posicionados em decúbito dorsal (deitados de costas) durante a cateterização. Se o paciente for capaz de se sentar, pode-se adotar uma posição semirreclinada ou sentada. Pacientes do sexo masculino que conseguem ficar em pé podem realizar o autocateterismo nessa posição. Observação importante: a posição supina geralmente resulta em um volume de urina 50 a 150 mL menor do que as posições sentada ou em pé.

Controle do espasmo uretral durante a cateterização

Caso o paciente apresente espasmo uretral ou vesical durante a cateterização, NÃO se deve aplicar pressão abdominal, pois isso pode agravar o espasmo.

Para pacientes do sexo masculino que apresentem dificuldade na inserção do cateter devido a espasmos: aguarde até que os espasmos diminuam, selecione um cateter de diâmetro ligeiramente menor, aplique lubrificante em abundância e insira-o rapidamente. Quando o cateter encontrar uma leve resistência na uretra prostática, levante suavemente o pênis em direção à parede abdominal — essa manobra reduz a resistência e facilita a inserção.

Se a resistência for muito grande para permitir a passagem do cateter, NÃO force inserções repetidas, pois isso pode causar sangramento uretral, lesão da mucosa e agravamento do espasmo. Técnicas manuais para suprimir o espasmo ou agentes antiespasmódicos farmacológicos podem ser usados ​​sob orientação clínica.

Seleção de cateter

Selecione o cateter de maior diâmetro adequado ao calibre uretral do paciente. Um cateter maior facilita a expulsão de sedimentos e detritos, produz um jato urinário mais forte e reduz a duração da cateterização.

Considerações especiais durante a menstruação

Durante a menstruação, as pacientes podem optar por um cateter vesical de demora, se apropriado, ou reduzir a frequência do cateterismo intermitente caso seja possível a micção parcial espontânea.

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