O cateterismo intermitente (CI) refere-se à interrupção da função da bexiga por meio de cateterismo vesical.
Método de tratamento no qual um cateter é inserido regularmente através da uretra ou de um canal suprapúbico para esvaziar a urina da bexiga ou do reservatório urinário, sendo o cateter removido imediatamente após a drenagem.
- Indicações e pré-requisitos para IC
- Indicações para IC:
O cateterismo intermitente é indicado para distúrbios do esvaziamento da bexiga causados por diversas condições, incluindo disfunções neurogênicas e não neurogênicas da bexiga e da uretra, retenção urinária idiopática ou esvaziamento incompleto da bexiga. Exemplos incluem lesão medular, disrafismo espinhal, disfunção vesical diabética, hiperplasia prostática benigna, retenção urinária pós-operatória após cirurgia pélvica, retenção urinária pós-parto, miastenia gravis, síndrome de Hinman, síndrome de Flower e outras condições relacionadas.
Além disso, em certas situações clínicas — como em pacientes que não conseguem urinar espontaneamente no período pós-operatório inicial após cirurgia não urológica — o cateterismo intermitente temporário também pode ser realizado para esvaziar a bexiga.
- Contraindicações para cistite intersticial:
A contraindicação absoluta para o cateterismo intermitente é uma capacidade vesical segura excessivamente pequena ou uma pressão intravesical elevada que exija drenagem contínua para evitar danos renais.
As contraindicações relativas incluem:
- Pouca destreza manual sem a assistência de cuidadores treinados;
- Condições uretrais que impossibilitam ou dificultam a inserção repetida de cateteres;
- Infecções graves do trato urinário;
- Condições sistêmicas como tendência a sangramentos, distúrbios de coagulação ou poliúria.
- Requisitos para a realização de IC:
- Sinais vitais estáveis, sem necessidade de reanimação de emergência ou infusão de grandes volumes de fluidos;
- Capacidade vesical segura adequada (a capacidade vesical segura ideal é de aproximadamente 400 mL; se a capacidade segura for insuficiente, a capacidade vesical pode ser aumentada por meio de medicamentos ou técnicas cirúrgicas para atender aos requisitos da cistite intersticial);
- Ausência de obstrução uretral ou outras contraindicações;
- Capacidade cognitiva e cooperação suficientes, juntamente com função física e manual adequadas, permitindo ao paciente aprender e realizar o autocateterismo de forma independente ou completar o cateterismo com a ajuda de terceiros;
- Boa conformidade.
- Vantagens dos circuitos integrados
- Esvaziamento eficaz da bexiga:
O cateterismo intermitente permite o esvaziamento eficaz da bexiga e serve como uma forma de treinamento de reabilitação vesical. Recomenda-se que pacientes elegíveis iniciem o cateterismo intermitente o mais cedo possível.
- Proteção da função do trato urinário superior e inferior:
A cateterização intermitente padronizada ajuda a evitar os riscos e danos associados a métodos de micção como esforço abdominal ou punção vesical. Ela reduz a incidência de hidronefrose, atrofia renal, pielonefrite, dilatação ureteral e refluxo vesicoureteral (RVU), protegendo assim a função do trato urinário superior. Ao mesmo tempo, ajuda a preservar as funções do trato urinário inferior, incluindo a complacência, a capacidade e a morfologia da bexiga.
- Redução e prevenção de complicações:
A cateterização intermitente reduz as complicações associadas a cateteres de demora, como infecções do trato urinário e genital, sangramento, lesão uretral, estenose uretral, úlceras, pólipos e cálculos. É considerada o método mais seguro para o controle da bexiga.
- Melhoria na qualidade de vida:
A IC (Intervenção Comunitária) melhora a participação social, aumenta a autoconfiança e facilita a reintegração dos pacientes na sociedade.
- Tipos de CI
Os tipos mais comuns de cateterismo intermitente incluem o cateterismo intermitente simples (SIC), o cateterismo intermitente contínuo (CIC) e o cateterismo intermitente sem contato.
- SIC (Cateterização Intermitente Estéril):
A cateterização venosa cirúrgica (CVC) refere-se à cateterização realizada com técnica estéril durante todo o procedimento, seguindo rigorosamente os princípios da assepsia. Sua principal vantagem é a redução máxima da contaminação durante a cateterização, diminuindo assim o risco de infecção. Esse método geralmente requer profissionais de saúde treinados e envolve custos mais elevados com materiais descartáveis.
- CIC (Cateterismo Intermitente Limpo):
O cateterismo intermitente limpo (CIC) é realizado utilizando uma técnica limpa, que requer apenas mãos ou luvas limpas, higienização das mãos e do cateter, e um recipiente limpo. Pode ser realizado pelo paciente ou por um cuidador. Os cateteres podem ser descartáveis ou reutilizáveis. O procedimento não exige condições estéreis; apenas a limpeza do meato uretral antes da inserção é necessária.
Se houver resistência excessiva durante a inserção, ou se o fluxo urinário for fraco ou contiver coágulos sanguíneos ou detritos teciduais (sedimentos), isso sugere que o tamanho do cateter pode ser inadequado e deve ser ajustado. A lubrificação adequada ou o uso de cateteres com revestimento hidrofílico podem reduzir o atrito entre a superfície do cateter e a mucosa, diminuindo assim complicações como sangramento. Lubrificantes anestésicos podem ajudar os pacientes a relaxar e reduzir a dificuldade de inserção. O cateterismo intermitente limpo (CIC) realizado pelo próprio paciente é denominado cateterismo intermitente limpo autoadministrado (CISC).
- Circuito integrado sem contato:
Na cateterização intermitente sem contato, o meato uretral é higienizado com uma técnica limpa e um cateter descartável, acondicionado em embalagem estéril individual, é utilizado. O cateter é inserido na bexiga utilizando a embalagem externa ou dispositivos auxiliares estéreis, como pinças estéreis, sem contato direto. Sistemas de cateteres reutilizáveis com bainha externa também podem ser utilizados. Durante o procedimento, o profissional segura a extremidade distal do cateter ou a embalagem, evitando o contato com a porção proximal que entra no corpo do paciente.
- Seleção de cateter
A escolha do cateter depende da função uretral do paciente, de considerações econômicas, da experiência do usuário e das preferências do paciente ou do cuidador. Os materiais comuns para cateteres incluem cloreto de polivinila (PVC) de grau médico, látex, silicone, borracha, poliuretano e olefinas termoplásticas.
Um cateter ideal deve atender aos seguintes critérios:
- Limpo e esterilizado;
- Boa biocompatibilidade, baixa citotoxicidade, mínima irritação da mucosa e facilidade de inserção.
Clinicamente, cateteres com diâmetro adequado são selecionados para garantir a drenagem urinária desimpedida. Em geral, cateteres F12–14 são preferidos para adultos, enquanto F4–6 são usados para crianças. Em situações especiais, como estenose uretral leve ou espasmo uretral, um cateter de menor calibre deve ser selecionado de acordo com as circunstâncias individuais.
Cateteres reutilizáveis requerem limpeza, secagem e armazenamento adequados após o uso, tomando-se o cuidado de evitar contaminação. Kits portáteis para cateteres, contendo cateteres reutilizáveis com uma bainha externa preenchida com solução desinfetante, facilitam o cateterismo intermitente limpo (CIC) diário. Cateteres descartáveis são descartados após o uso e oferecem maior praticidade. Eles podem ser classificados como não hidrofílicos (sem revestimento) ou hidrofílicos (com revestimento). Cateteres sem revestimento devem ser usados com um lubrificante estéril, enquanto cateteres com revestimento possuem uma camada lubrificante pré-tratada e podem ser usados diretamente ou após ativação com água. Cateteres com revestimento hidrofílico reduzem o risco de infecções do trato urinário e hematúria, além de diminuírem a incidência de lesões e estenoses uretrais.
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