Educação em Saúde | Complicação Comum da Cateterização Intermitente Limpa (CIL) — Prevenção e Tratamento de Infecções do Trato Urinário
O cateterismo intermitente limpo (CIL) é um método de tratamento eficaz para garantir o esvaziamento completo da bexiga. No entanto, complicações podem ocorrer em cerca de 2% a 8% dos casos, sendo os usuários de CIL de longo prazo os que apresentam maior risco. Entre essas complicações, infecção do trato urinário (ITU) A complicação mais comum é a da uretra, seguida por complicações envolvendo os testículos, o epidídimo e a bexiga. Para garantir a implementação segura e tranquila do cateterismo intermitente limpo (CIC), é crucial focar tanto na prevenção quanto no manejo dessas complicações.

A infecção do trato urinário (ITU) associada ao cateterismo intermitente é considerada uma infecção do trato urinário associada ao cateter (ITUAC) e representa a complicação mais comum do cateterismo intermitente limpo (CIL). Quando ocorre trauma uretral ou lesão na parede da bexiga, a barreira mucosa é rompida, criando uma via de entrada para infecção.
Causas de infecção do trato urinário (ITU) associada a cateter em cateterismo intermitente e como preveni-la.
O cateterismo intermitente é um método eficaz para esvaziar a bexiga, mas as infecções do trato urinário (ITUs) continuam sendo a complicação mais comum. As principais causas e estratégias de prevenção incluem:
- 1. Lesão da mucosa
1.1. Causa: O trauma na mucosa da uretra ou da bexiga durante a inserção do cateter rompe a barreira protetora natural, permitindo a entrada de bactérias.
1.2. Prevenção: Utilize um cateter de tamanho adequado, assegure-se de que haja lubrificação suficiente (por exemplo, cateteres com revestimento hidrofílico) e insira-o com cuidado para evitar lesões. - 2. Esvaziamento incompleto da bexiga
2.1. Causa: A urina residual que permanece na bexiga após a cateterização cria um ambiente propício para o crescimento bacteriano.
2.2. Prevenção: Assegure-se de que o cateter esteja posicionado corretamente e que a técnica utilizada seja aplicada de forma a esvaziar completamente a bexiga. Caso o fluxo urinário cesse prematuramente, verifique novamente o posicionamento. - 3. Ingestão insuficiente de líquidos
3.1. Causa: Ingerir pouca água (menos de cerca de 1200 ml por dia) leva à baixa produção de urina, redução da frequência de cateterização e estase urinária prolongada na bexiga.
3.2. Prevenção: Mantenha uma ingestão diária adequada de líquidos, conforme orientação de um profissional de saúde, para promover a produção regular de urina e a eliminação de bactérias. - 4. Técnica inadequada ou contaminação
4.1. Causa: A higiene inadequada das mãos, o uso de equipamentos sujos ou a contaminação do cateter introduzem bactérias diretamente no trato urinário.
4.2. Prevenção: Lave bem as mãos, siga os protocolos de cateterismo limpo/asséptico e evite tocar na ponta do cateter. Use cateteres estéreis de uso único sempre que possível. - 5. Cateterismo pouco frequente
5.1. Causa: A frequência inadequada de esvaziamento da bexiga causa retenção urinária e distensão excessiva da bexiga, aumentando o risco de infecção.
5.2. Prevenção: Siga o cronograma de cateterismo recomendado (geralmente a cada 4 a 6 horas) e evite deixar a bexiga encher demais.
Métodos básicos para prevenir infecções do trato urinário (ITU):
- 1. Higiene das mãos: Lave bem as mãos com água corrente e sabão antes e depois da cateterização.
- 2. Higiene perineal: Limpe o períneo da frente para trás para reduzir a infecção bacteriana retrógrada. Isso é especialmente importante para as mulheres, que são mais propensas a infecções do trato urinário devido à uretra mais curta. O ideal é realizar a cateterização antes da defecação.
- 3. Operação suave para homens: Devido à sua anatomia peculiar, os homens devem ser cateterizados com movimentos suaves, evitando a inserção forçada para minimizar lesões na uretra, especialmente na porção curva da mesma.
- 4. Evite a contaminação do cateter: Ao manusear o cateter, certifique-se de que a ponta e a haste não toquem em nenhuma superfície para evitar contaminação.
- 5. Escolha cateteres com revestimento hidrofílico: Sempre que possível, utilize cateteres descartáveis com revestimento hidrofílico para reduzir o atrito entre o cateter e a mucosa uretral, diminuindo assim o risco de lesões e sangramento.
- 6. Ingestão adequada de líquidos: Mantenha o consumo suficiente de líquidos para diluir a urina, garantindo a lavagem e drenagem contínuas para baixo.
- 7. Cateterismo regular: Realizar cateterismo vesical de 4 a 6 vezes por dia. O cateterismo muito frequente pode causar lesão na mucosa uretral devido à estimulação mecânica, enquanto o cateterismo muito infrequente pode resultar em retenção urinária prolongada, favorecendo o crescimento bacteriano ou a distensão excessiva da bexiga, ambos fatores que aumentam o risco de infecção do trato urinário (ITU).
- 8. Monitoramento regular: Realizar exames de urina de rotina e urocultura. Observar atentamente as alterações na cor, aparência, odor da urina e volume obtido por cateterismo.









